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Violência patrimonial [Lei Maria da Penha]: Exemplos e Estratégias Jurídicas

Jamile Cruz Jamile Cruz 27/02/2025 14 minutos
Entenda o que é violência patrimonial, seus exemplos, e as estratégias jurídicas disponíveis para a proteção das vítimas.
Violência patrimonial [Lei Maria da Penha]: Exemplos e Estratégias Jurídicas

A violência patrimonial é uma forma de abuso que afeta diretamente a autonomia e a dignidade de suas vítimas, especialmente em contextos de relações afetivas, familiares ou de dependência.

Compreender suas nuances, formas de manifestação e os mecanismos legais de proteção é essencial para combater essa prática e garantir a segurança patrimonial de quem está em situação de vulnerabilidade.

Neste artigo, abordaremos os principais aspectos da violência patrimonial, desde sua definição legal e exemplos concretos até estratégias para prevenção, denúncia e reparação dos danos causados.

Se você quer entender mais sobre como identificar, prevenir e combater a violência patrimonial, este texto é para você!

Confira também nosso artigo sobre: os tipos de violência que a Lei Maria da Penha combate

O que é violência patrimonial?

A violência patrimonial é caracterizada por condutas que afetam os bens, recursos financeiros ou a capacidade de controle sobre o patrimônio de uma pessoa. Isso inclui atos como:

  • Uso ou apropriação indevida de dinheiro, bens ou documentos;
  • Destruição, retenção ou subtração de propriedades;
  • Controle abusivo sobre recursos financeiros.

A expressão é utilizada para se referir a limitações de ordem financeira que ocorrem em contextos de ligações afetivas ou de alguma forma de dependência, como em relações amorosas, parcerias domésticas, laços familiares e aquelas entre responsáveis por cuidados e pessoas idosas ou com deficiência.

Dessa forma, a vítima de violência patrimonial não se restringe necessariamente ao gênero feminino, mas é imprescindível que se encontre em posição de fragilidade em relação ao agressor.

Violência Patrimonial na Lei Maria da Penha

A Lei Maria da Penha reconhece a modalidade de violência patrimonial como uma ferramenta de controle e opressão, utilizada para manter a mulher em situação de dependência e submissão.

O artigo 7º, inciso IV, da Lei nº 11.340/2006 define a violência patrimonial como:

“Art. 7º, inciso IV da Lei Maria da Penha – Qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades.”

Essa definição reforça que a violência patrimonial não se limita apenas à destruição de bens, mas inclui qualquer ato que prive a mulher do acesso aos seus recursos financeiros, documentos ou instrumentos de trabalho, prejudicando sua independência e dignidade.

Além de reconhecer essa forma de violência, a Lei Maria da Penha também prevê medidas de proteção para resguardar o patrimônio da mulher vítima de violência doméstica. 

O artigo 24 estabelece que o juiz pode determinar, de forma liminar, medidas protetivas para garantir a proteção patrimonial, tais como:

“Art. 24 da Lei Maria da Penha – I – restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida;
II – proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra, venda e locação de propriedade em comum, salvo expressa autorização judicial;
III – suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor;
IV – prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a ofendida.”

O parágrafo único do artigo 24 ainda determina que o juiz deve oficiar ao cartório competente para a efetivação das medidas previstas nos incisos II e III, garantindo que atos patrimoniais indevidos sejam impedidos de forma eficaz.

“Art 24. Parágrafo único da Lei Maria da Penha. Deverá o juiz oficiar ao cartório competente para os fins previstos nos incisos II e III deste artigo.”

Exemplos de Violência Patrimonial 

A violência patrimonial pode se manifestar de diversas formas no cotidiano, especialmente em relações conjugais e familiares. 

Essa prática envolve atos que impedem a mulher de ter controle sobre seus bens e recursos, configurando retenção, subtração ou destruição de patrimônio. 

No contexto de separações e disputas patrimoniais, essas práticas podem se agravar, impedindo que a mulher tenha acesso ao que lhe é devido. 

Entre os principais exemplos de violência patrimonial, destacam-se:

  • Apropriação indevida de bens: O ex- companheiro vende, sem consentimento, bens que pertencem ao casal, como veículos ou imóveis;
  • Ocultação de patrimônio: Um dos parceiros esconde seus bens para evitar a partilha justa em caso de separação;
  • Destruição de bens pessoais: Quebra intencional de objetos importantes como celular e computador;
  • Restrições financeiras: Controle excessivo sobre as finanças da mulher, impedindo-a de acessar sua conta bancária, salário ou outros recursos financeiros;
  • Endividamento forçado: Uso indevido do nome da mulher para contrair empréstimos;
  • Rasura ou falsificação de documentos: Alteração ou falsificação de assinaturas para obter vantagens financeiras;

Essas práticas, além de representarem violência patrimonial, podem configurar crimes como furto, estelionato e apropriação indébita, conforme previsto no Código Penal. 

Diferença entre Estelionato Patrimonial e Violência Patrimonial

O estelionato patrimonial e a violência patrimonial são condutas que envolvem prejuízo financeiro à vítima, mas possuem diferenças fundamentais. 

O estelionato ocorre quando alguém obtém vantagem ilícita em prejuízo de outra pessoa por meio de fraude ou engano, conforme prevê o artigo 171 do Código Penal. 

Nesse caso, o autor age com a intenção de ludibriar a vítima para obter bens ou valores de forma ilícita, podendo envolver terceiros, sem necessariamente existir uma relação doméstica. 

Já a violência patrimonial se configura quando há retenção, subtração, destruição ou controle de bens e recursos da vítima, geralmente no contexto de violência doméstica e familiar.

Enquanto o estelionato envolve fraude para obtenção de vantagem financeira, a violência patrimonial está diretamente ligada ao abuso de poder dentro de relações afetivas e familiares.

Como provar abuso patrimonial?

É possível provar abuso patrimonial por meio de:

  1. Contratos, notas fiscais e comprovantes de pagamento: Reúna todos os contratos relacionados ao patrimônio em questão e presente notas fiscais e comprovantes que demonstrem transações financeiras irregulares ou não autorizadas;
  2. Extratos Bancários: Solicite extratos bancários que comprovem retiradas excessivas, transferências suspeitas ou uso inadequado de recursos;
  3. Mensagens e E-mails: Colete comunicações relevantes que demonstrem manipulação ou coação relacionadas ao patrimônio;
  4. Declarações de Testemunhas: Identifique pessoas que possam corroborar a ocorrência de abuso patrimonial. Obtenha declarações formais ou testemunhos que relatem o que observaram;
  5. Laudos e Avaliações: Em alguns casos, pode ser necessário contratar peritos para avaliar bens ou verificar a validade de contratos.
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Violência Patrimonial no divórcio

A violência patrimonial pode se manifestar durante o divórcio por meio da retenção de bens ou recursos econômicos. 

É comum que o cônjuge utilize táticas como o “falso endividamento”, onde cria dívidas fictícias para desestabilizar a parceira, dificultando a divisão justa dos bens adquiridos durante a união. 

Além disso, há casos em que o patrimônio é ocultado, registrado em nome de terceiros, dificultando o acesso da mulher a seus direitos.

Outro aspecto significativo é a negativa ou a postergação do pagamento de pensão alimentícia, que, em alguns casos, pode ser concedida em favor da mulher após a separação. 

Acesse nosso artigo sobre: Comunhão Universal de Bens para entender os regimes patrimoniais!

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Estratégias jurídicas para proteger as pessoas da Violência Patrimonial

Mulher 

  • Orientação jurídica sobre gestão de patrimônio: Ter acesso a suporte jurídico especializado pode ajudar mulheres a compreender melhor seus direitos em relação a bens adquiridos durante o casamento ou união estável;
  • Estratégias de organização patrimonial: A formalização de acordos, como contratos antenupciais e pactos de convivência;
  • Análise e atualização de contratos e documentos: A revisão de contratos de compra e venda, escrituras e outros instrumentos legais pode evitar que mulheres sejam prejudicadas por cláusulas abusivas;
  • Reunir e resguardar evidências: Manter registros de movimentações financeiras, comunicações relevantes e documentos comprobatórios pode ser fundamental para denunciar a ocultação de bens;

Idosos

  • Restrição de movimentação financeira: A implementação de medidas como procurações específicas e co-gestão de contas bancárias pode evitar que terceiros realizem operações sem consentimento do idoso;
  • Supervisão de transações e contratos: Idosos devem receber suporte para revisar documentos financeiros e jurídicos, garantindo que não sejam induzidos a assinar acordos desfavoráveis;

Crianças

  • Curadoria e tutela supervisionada: A nomeação de responsáveis legais que atuem na proteção do patrimônio do menor deve ser acompanhada de mecanismos de fiscalização para evitar desvio de recursos;
  • Fundo de reserva para heranças e doações: Criar mecanismos legais para proteger bens destinados a crianças pode impedir que terceiros administrem esses valores de maneira prejudicial;
  • Garantia do direito à pensão alimentícia: Medidas legais devem ser adotadas para assegurar que a pensão seja paga corretamente;

Pessoas com deficiência

  • Planejamento financeiro assistido: Criar instrumentos de gestão patrimonial que envolvam supervisão jurídica pode ajudar a evitar fraudes e garantir que os recursos sejam utilizados em benefício da pessoa com deficiência;
  • Definição de representantes legais responsáveis: Em casos que exigem intermediação, é importante que haja mecanismos para garantir que os responsáveis atuem no melhor interesse da pessoa com deficiência;

Orientação Prática para Advogados em Casos de Violência Patrimonial

A violência patrimonial é uma forma de abuso que pode ocorrer em diversas relações familiares, especialmente em contextos de divórcio, sucessão, tutela de idosos e administração de bens de pessoas vulneráveis. 

O advogado que atua nessa área deve adotar uma abordagem estratégica para garantir a proteção dos direitos do seu cliente e viabilizar a reparação dos danos causados.

1. Identificação e Caracterização da Violência Patrimonial

O primeiro passo é reconhecer a prática e compreender suas diversas formas, que podem incluir:

  • Ocultação de bens em processos de divórcio ou partilha;
  • Apropriação indevida de recursos financeiros ou patrimoniais;
  • Transferência fraudulenta de bens para terceiros para evitar a divisão do patrimônio;
  • Endividamento forçado de cônjuges, idosos ou pessoas vulneráveis;
  • Negativa ou postergação do pagamento de pensão alimentícia para gerar dificuldades financeiras à vítima.

A violência patrimonial pode ser tipificada no Código Penal, Código Civil e na Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006). 

No Código Penal, pode configurar crimes como apropriação indébita (art. 168), estelionato (art. 171) e fraude na execução (art. 179). 

No Código Civil, há proteções em relação à partilha de bens no divórcio (art. 1.571 e seguintes), dever de alimentos (art. 1.589 e 1.694), administração de bens do casal (art. 1.642) e fraude contra credores (art. 792).

A Lei Maria da Penha (art. 7º, IV) , como já citado, reconhece a violência patrimonial como retenção, destruição ou subtração de bens e recursos da mulher, sendo possível solicitar medidas judiciais urgentes para impedir prejuízos.

2. Coleta de Provas e Documentação

A produção de provas é essencial para comprovar a prática ilícita. O advogado deve orientar seu cliente sobre a importância de reunir documentos, tais como:

  • Extratos bancários e registros financeiros que demonstrem movimentações atípicas;
  • Escrituras e contratos que possam indicar ocultação de patrimônio;
  • Mensagens, e-mails ou gravações que evidenciem ameaças ou manipulação financeira;
  • Comprovantes de pensão alimentícia e tentativas frustradas de recebimento;
  • Testemunhos de pessoas próximas que possam relatar a conduta abusiva.

3. Medidas Judiciais e Extrajudiciais

O advogado pode atuar tanto na esfera judicial quanto na extrajudicial para buscar reparação e proteção ao seu cliente:

  • Tutela de urgência: Nos casos em que há risco iminente de dano, é possível requerer medidas liminares para bloqueio de bens, arresto ou sequestro patrimonial.
  • Ação de prestação de contas: Se houver suspeita de administração irregular de bens, essa ação pode ser utilizada para exigir esclarecimentos sobre a destinação dos recursos.
  • Ação revisional ou execução de alimentos: Se o agressor estiver utilizando artifícios para reduzir ou evitar o pagamento de pensão, o advogado pode pleitear a revisão do valor ou a execução da dívida.
  • Ação anulatória de atos fraudulentos: Em casos de transferências patrimoniais suspeitas, pode-se buscar a nulidade dos atos jurídicos praticados para lesar o patrimônio da vítima.
  • Negociação e mediação: Em algumas situações, a solução extrajudicial pode ser mais rápida e menos desgastante, permitindo acordos que garantam o cumprimento das obrigações patrimoniais.

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A atuação diante da violência patrimonial  exige rapidez e embasamento sólido para garantir a proteção dos direitos da vítima. Com a Jurídico AI, você pode elaborar documentos completos e bem estruturados, otimizando seu tempo e fortalecendo sua atuação profissional.

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O que é violência patrimonial?

Violência patrimonial é qualquer conduta que cause dano, retenção, subtração, destruição ou controle indevido sobre bens, recursos financeiros ou documentos de uma pessoa, geralmente em contextos de relações afetivas, familiares ou de dependência.

Como provar abuso patrimonial?

É possível provar abuso patrimonial com contratos, notas fiscais, comprovantes de pagamento, extratos bancários, mensagens, e-mails, gravações, declarações de testemunhas e laudos ou avaliações periciais, que comprovam as irregularidades ou atos ilícitos.

O que a Lei Maria da Penha define como violência patrimonial?

A Lei Maria da Penha (art. 7º, IV) define violência patrimonial como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de objetos, documentos pessoais, bens, valores, direitos ou recursos econômicos da mulher.

O que é violência patrimonial contra o idoso?

É o abuso ou controle indevido sobre os bens, recursos financeiros ou documentos de idosos, muitas vezes praticado por cuidadores ou familiares, visando obter vantagens financeiras ou limitar sua autonomia.

Quais os exemplos de violência patrimonial?

Exemplos incluem apropriação indevida de bens, ocultação de patrimônio, destruição de bens pessoais, restrições financeiras, endividamento forçado e falsificação de documentos.

Como prevenir violência patrimonial?

Para prevenir, é importante formalizar acordos como pactos antenupciais, revisar contratos e documentos regularmente, monitorar movimentações financeiras, designar representantes legais confiáveis para idosos e pessoas vulneráveis, e buscar orientação jurídica especializada.

Como denunciar violência patrimonial?

Para denunciar, é necessário registrar um boletim de ocorrência na delegacia, buscar medidas protetivas na Justiça, procurar a Defensoria Pública ou núcleos de apoio à mulher, idosos ou pessoas vulneráveis, e coletar provas como documentos, extratos bancários e testemunhos para embasar a denúncia.

Jamile Cruz Jamile Cruz 27/02/2025

Graduanda em Direito e Marketing, pós-graduada em Direito Civil e Direito Digital. Possui experiência na redação de peças processuais, produção de conteúdo jurídico e SEO. É pesquisadora na área de Inteligência Artificial e Direito, com interesse nos impactos e desafios da tecnologia no sistema de Justiça. Inscrita na OAB/BA como estagiária, sob o nº 33984E

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