Jurídico AI lança plataforma para gestão e inteligência do contencioso trabalhista para departamentos jurídicos.

Saiba mais
Notícias sobre Direito

STJ fixa limites ao testemunho indireto na decisão de pronúncia

Carlos Silva Carlos Silva 13/08/2026 6 minutos
O STJ definiu que o testemunho indireto, conhecido como relato de “ouvir dizer”, não basta, isoladamente, para levar o acusado ao Tribunal do Júri. Veja as teses fixadas no Tema 1.260.
STJ fixa limites ao testemunho indireto na decisão de pronúncia

O relato de uma pessoa que apenas reproduz o que ouviu de terceiros pode levar o acusado ao Tribunal do Júri?

A Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu que não, quando esse for o único elemento utilizado para sustentar a autoria. Ao julgar o Tema Repetitivo 1.260, o colegiado definiu que o testemunho indireto, também conhecido como depoimento de “ouvir dizer”, é admitido no processo, mas não basta, isoladamente, para fundamentar a pronúncia.

O STJ também afastou a possibilidade de a decisão se apoiar exclusivamente em informações produzidas durante o inquérito policial e não confirmadas em juízo.

JuridicoAI - Escreva peças processuais em minutos

O que o STJ decidiu?

O julgamento estabeleceu três pontos centrais.

A pronúncia não pode ser fundamentada exclusivamente em elementos informativos colhidos no inquérito policial. Permanecem ressalvadas as provas cautelares, antecipadas e não repetíveis, conforme a parte final do artigo 155 do Código de Processo Penal.

O testemunho indireto é uma prova lícita e pode ser admitido no processo. Entretanto, mesmo quando prestado em juízo, não atinge sozinho o nível de comprovação necessário para submeter o acusado ao Tribunal do Júri.

O STJ também reconheceu que esse tipo de relato pode adquirir maior relevância em situações nas quais estejam objetivamente demonstrados fatores como intimidação de testemunhas, atuação de organizações criminosas, silenciamento ou dificuldade substancial para produzir a prova direta. Mesmo nesses casos, será necessário controle judicial rigoroso e respeito ao contraditório e à ampla defesa.

O que é o testemunho indireto?

O testemunho indireto ocorre quando a pessoa não presenciou os fatos e apenas relata aquilo que outra pessoa lhe contou.

É diferente do depoimento de uma testemunha que viu ou ouviu diretamente o acontecimento investigado. O problema não está, portanto, na possibilidade de esse relato aparecer no processo, mas no valor que pode receber.

A testemunha indireta pode indicar a origem de determinada informação ou contribuir para a compreensão da investigação. O que o STJ afastou foi sua utilização isolada como prova suficiente da autoria para a pronúncia.

A decisão impede toda pronúncia baseada em relato indireto?

Não. O STJ não declarou que o testemunho indireto deve ser desconsiderado em qualquer situação.

A decisão impede que o acusado seja levado ao Júri com base somente nesse relato. Se houver outros elementos judicializados que confirmem a autoria, o testemunho poderá ser analisado em conjunto com o restante das provas.

Também será necessário observar a exceção reconhecida pelo tribunal para contextos comprovados de intimidação, silenciamento ou atuação de organizações criminosas. 

A mera alegação de dificuldade na obtenção da prova direta, contudo, não deve ser suficiente. As circunstâncias precisam estar demonstradas no processo.

O que muda na análise da pronúncia?

A decisão de pronúncia não representa uma condenação. Ela define se existem elementos suficientes para que a acusação seja julgada pelo Tribunal do Júri.

Isso não significa que qualquer dúvida autorize automaticamente o envio do acusado ao Conselho de Sentença. Conforme o entendimento firmado, deve existir um suporte probatório mínimo, produzido sob contraditório, que indique a autoria ou a participação no crime.

Na prática, acusação e defesa deverão observar:

  • quem forneceu originalmente a informação;
  • se essa pessoa foi ouvida em juízo;
  • quais elementos confirmam o relato indireto;
  • se as provas do inquérito foram reproduzidas sob contraditório;
  • se existem circunstâncias concretas que dificultaram a obtenção da prova direta.

A análise não deve se limitar à quantidade de depoimentos. Várias testemunhas repetindo a mesma informação recebida de terceiros não transformam, necessariamente, o relato indireto em prova direta.

Confira também nosso artigo: Crimes de Maio: STJ afasta prescrição de ação que busca reparação das vítimas

Qual é o impacto para os processos do Tribunal do Júri?

Como o julgamento ocorreu sob o rito dos recursos repetitivos, a tese deverá orientar os tribunais na análise de casos semelhantes.

Para a defesa, a decisão oferece fundamento para questionar a pronúncia apoiada apenas em relatos de terceiros ou em elementos inquisitoriais que não foram confirmados durante a instrução.

Para a acusação, o julgamento reforça a necessidade de demonstrar quais provas judicializadas sustentam os indícios de autoria, especialmente quando parte relevante da narrativa deriva de informações indiretas.

O resultado não torna o testemunho de “ouvir dizer” ilícito. A distinção feita pelo STJ está em sua suficiência: o relato pode integrar o conjunto probatório, mas, como regra, não pode ocupar sozinho o lugar da prova necessária para levar o acusado ao Júri.

JuridicoAI - Escreva peças processuais em minutos

O que o STJ decidiu sobre o testemunho indireto na pronúncia?

No Tema Repetitivo 1.260, a Terceira Seção decidiu que o testemunho indireto, de “ouvir dizer”, é admitido, mas não basta sozinho para fundamentar a pronúncia.

O que é testemunho indireto?

É o relato de quem não presenciou os fatos e apenas repete o que outra pessoa lhe contou. É diferente do depoimento de quem viu ou ouviu diretamente o acontecimento.

O testemunho indireto é prova ilícita?

Não. É prova lícita e pode integrar o conjunto probatório. O STJ afastou apenas seu uso isolado como prova suficiente da autoria para levar o acusado ao Júri.

A pronúncia pode se basear só no inquérito policial?

Não. Ela não pode se apoiar exclusivamente em elementos do inquérito não confirmados em juízo, ressalvadas as provas cautelares, antecipadas e não repetíveis (art. 155 do CPP).

Há exceções em que o relato indireto ganha mais peso?

Sim, quando estiverem objetivamente demonstradas intimidação de testemunhas, atuação de organização criminosa, silenciamento ou dificuldade substancial de produzir prova direta. Ainda assim, exige controle judicial rigoroso.

Várias testemunhas indiretas equivalem a prova direta?

Não necessariamente. Vários depoimentos repetindo a mesma informação recebida de terceiros não transformam o relato indireto em prova direta.

O que acusação e defesa devem verificar após a decisão?

Quem forneceu originalmente a informação, se essa pessoa foi ouvida em juízo, quais elementos confirmam o relato e se as provas do inquérito foram reproduzidas sob contraditório.

A tese vale para todos os processos do Júri?

Por ter sido fixada em recurso repetitivo, a tese deve orientar os tribunais em casos semelhantes.

Carlos Silva Carlos Silva 13/08/2026

Formado em Direito e pesquisador nas áreas de Direito Civil e Tecnologia. Possui experiência prática na redação de peças jurídicas e no desenvolvimento de estratégias processuais. Atua com marketing, produção de conteúdo jurídico e SEO. Produz conteúdos que aproximam o Direito da tecnologia, com informações claras, relevantes e aplicáveis à rotina dos advogados.

Notícias mais lidas

Direito Civil

  1. 1 Devolução em dobro: quando pedir e como comprovar a cobrança indevida 21/10/26 → Ler artigo
  2. 2 Cumprimento de sentença: prazos e como elaborar o pedido 21/10/26 → Ler artigo
  3. 3 Golpe do Pix: o que fazer e como recuperar o dinheiro 20/10/26 → Ler artigo
  4. 4 Ocultação de patrimônio: como localizar bens do devedor e quais medidas jurídicas adotar 19/10/26 → Ler artigo
  5. 5 Declaração de hipossuficiência: modelo e requisitos 19/10/26 → Ler artigo
  6. 6 Recurso inominado: prazo, preparo e como elaborar 19/10/26 → Ler artigo
  7. 7 Trânsito em julgado: como identificar e o que fazer depois 19/10/26 → Ler artigo
  8. 8 Contrato de vesting: como estruturar cliff, cronograma e saída do beneficiário 16/10/26 → Ler artigo
  9. 9 O que significa decurso de prazo no processo? Efeitos e o que fazer 16/10/26 → Ler artigo
  10. 10 Exceção de pré-executividade: quando cabe e como elaborar 16/10/26 → Ler artigo

Direito Penal

  1. 1 Transação penal: requisitos, como funciona e atuação do advogado 19/10/26 → Ler artigo
  2. 2 Cárcere privado: requisitos, penas e atuação do advogado 16/10/26 → Ler artigo
  3. 3 Queixa-crime por injúria: prazo, provas e como elaborar 15/10/26 → Ler artigo
  4. 4 Lesão corporal (art. 129 CP): provas, enquadramento e atuação do advogado 14/10/26 → Ler artigo
  5. 5 Art. 121 do Código Penal: entenda o homicídio e suas principais modalidades 07/10/26 → Ler artigo
  6. 6 Art. 157 do CP: roubo majorado, latrocínio e teses de defesa 07/10/26 → Ler artigo
  7. 7 Alegações finais no CPP: prazos e como elaborar 01/10/26 → Ler artigo
  8. 8 Legítima defesa: requisitos, excesso e atuação do advogado 29/09/26 → Ler artigo
  9. 9 Réu primário: o que significa e como afeta o processo penal? 21/09/26 → Ler artigo
  10. 10 Dosimetria da pena: como calcular as três fases e evitar erros 21/09/26 → Ler artigo

Notícias sobre Direito

  1. 1 Compensação da dívida não reduz base dos honorários, decide STJ 20/10/26 → Ler artigo
  2. 2 Usucapião de domínio na internet: STJ discute possibilidade 20/10/26 → Ler artigo
  3. 3 Dia do Servidor Público e Finados 2026: cuidados com os prazos processuais 20/10/26 → Ler artigo
  4. 4 Fim da escala 6×1 promulgado: quando começa a valer e o que muda 15/10/26 → Ler artigo
  5. 5 NR-1: STF suspende ações por 60 dias 14/10/26 → Ler artigo
  6. 6 Novas regras do SAC limitam espera e exigem atendimento humano 13/10/26 → Ler artigo
  7. 7 Penhora de salário: STJ admite medida para pagar dívidas não alimentares 02/10/26 → Ler artigo
  8. 8 STJ aprova novas custas judiciais: veja valores para 2027 26/09/26 → Ler artigo
  9. 9 Lula assina MP que proíbe bets: veja os prazos e como recuperar o dinheiro 26/09/26 → Ler artigo
  10. 10 Anac atualiza regras para atraso e cancelamento de voos 24/09/26 → Ler artigo

Jurídico

  1. 1 Autos remetidos, recebidos e em carga: o que significa cada movimentação do processo 20/10/26 → Ler artigo
  2. 2 Preposto na audiência trabalhista: como preparar e evitar confissão 16/10/26 → Ler artigo
  3. 3 Jurisprudência TJRJ: Passo a passo prático para localizar precedentes relevantes 16/10/26 → Ler artigo
  4. 4 Como fazer peças que convencem com IA? Passo a passo na Jurídico AI com 7 prompts  14/10/26 → Ler artigo
  5. 5 Como o advogado consegue clientes pelas redes sociais? O método de Victor Marinho 14/10/26 → Ler artigo
  6. 6 Engenharia de prompt para advogados: o método PACEF para a IA trabalhar a seu favor 08/10/26 → Ler artigo
  7. 7 O que significa processo concluso para julgamento? 07/10/26 → Ler artigo
  8. 8 Como preparar o cliente para audiência: orientações para advogados 06/10/26 → Ler artigo
  9. 9 Gestão financeira para advogados: como organizar o escritório 06/10/26 → Ler artigo
  10. 10 Constituição Federal: artigos essenciais para a prática jurídica 05/10/26 → Ler artigo

Recentemente publicadas

  • Capa sobre criação de peças processuais com IA, com documentos, caneta e tablet exibindo um editor de texto com destaques em roxo.
    Blog do Produto - IA para advogados

    Criação de peças processuais com IA: do caso à redação

    Conheça o fluxo de criação de peças na Jurídico AI, dos documentos à aprovação da estratégia e à revisão da minuta.

    → Ler artigo
    21 out, 2026
  • Capa sobre vínculo empregatício, com celular exibindo mensagens, comprovantes de pagamento e registros de jornada.
    Direito Trabalhista

    Vínculo empregatício: como comprovar e quais provas utilizar

    Saiba quais provas ajudam a demonstrar vínculo empregatício e como relacioná-las aos requisitos da CLT. Prepare a inicial ou a defesa com a Jurídico AI.

    → Ler artigo
    21 out, 2026
  • Capa sobre devolução em dobro e Tema 929 do STJ, com comprovantes de pagamento, caneta e celular com símbolos de estorno.
    Direito Civil

    Devolução em dobro: quando pedir e como comprovar a cobrança indevida

    Veja como fundamentar a devolução em dobro com o Tema 929 do STJ, comprovar os pagamentos e enfrentar o engano justificável com apoio da Jurídico AI.

    → Ler artigo
    21 out, 2026
  • Capa sobre cumprimento de sentença, com documentos, caneta, notebook exibindo uma minuta e agenda roxa.
    Direito Civil

    Cumprimento de sentença: prazos e como elaborar o pedido

    Confira os documentos, os cálculos e os prazos do cumprimento de sentença. Veja como preparar o pedido e as próximas manifestações com a Jurídico AI.

    → Ler artigo
    21 out, 2026
  • Capa com o título “STJ: compensação não reduz base dos honorários”, documentos, calculadora e pasta roxa.
    Notícias sobre Direito

    Compensação da dívida não reduz base dos honorários, decide STJ

    O STJ manteve os honorários sobre o valor da condenação, mesmo após a compensação integral do crédito. Entenda a decisão e prepare sua manifestação com a Jurídico AI.

    → Ler artigo
    20 out, 2026

Modelos Jurídicos

Veja mais
  • 21 out, 2026
    Modelo de Chamamento ao Processo

    Modelo de Chamamento ao Processo

    Modelo de Chamamento ao Processo para requerer a inclusão de devedor principal, cofiador, devedor solidário ou seguradora no polo passivo da ação.

    → Ler artigo
  • 21 out, 2026
    Modelo de Cessão de Direitos Possessórios

    Modelo de Cessão de Direitos Possessórios

    Modelo de Cessão de Direitos Possessórios para formalizar a transferência de posse de imóvel urbano ou rural, com cláusulas sobre tempo de posse, preço e encargos.

    → Ler artigo
  • 20 out, 2026
    Modelo de Requerimento de Certidão de Tempo de Contribuição

    Modelo de Requerimento de Certidão de Tempo de Contribuição

    Modelo de Requerimento de Certidão de Tempo de Contribuição para requerer a emissão de CTC para fins de contagem recíproca entre regimes previdenciários.

    → Ler artigo

Nossos produtos

  • Plataforma Jurídico AI para advogados Para advogados e escritórios

    IA para geração de peças e acompanhamento de casos

    Redação de peças, pesquisa de jurisprudência, transcrição de audiências e acompanhamento de casos. Com o seu tom de voz e o seu timbrado.

    Conhecer o produto
  • Plataforma Jurídico AI para departamentos jurídicos Para departamentos jurídicos

    IA para gestão do contencioso trabalhista

    Análise de processos, identificação de riscos e automação das rotinas do jurídico interno.

    Conhecer o produto